Desde minha adolescência (e isso já tem algumas décadas) frequento o Teatro João Caetano, na Praça Tiradentes, e sempre o considerei um dos melhores equipamentos públicos no Rio de Janeiro para promoção de eventos culturais que sublinhem, em alto relevo, a arte brasileira, sobretudo, a gloriosa história da nossa música popular. Foi graças aos espetáculos de altíssimo nível e com preços acessíveis, que tive a oportunidade de conhecer clássicos do Choro, Samba, Bossa Nova e da nossa MPB. Além de acariciar simultaneamente, meus ouvidos, meu coração e minha alma, a beleza melódica, a sutileza harmônica e a riqueza poética dessas canções contribuíram de maneira determinante para meu desenvolvimento humano e evolução intelectual, possibilitando-me vislumbrar horizontes profissionais e sociais que transformaram positivamente a minha vida.
Todavia, ao longo do tempo, por ser um espaço cultural pertencente ao poder público, o teatro não ficou imune às aberrações administrativas protagonizadas por maus gestores, majoritariamente, indicados por critério político e não técnico. Lamentavelmente, o descaso com a infraestrutura predial, acomodações, iluminação, sonorização, entre outros fatores, inviabilizaram a realização de relevante projetos, como por exemplo, o Seis e Meia, e culminaram no encerramento temporário daquela bem-sucedida programação musical, o que gerou insatisfação, indignação e revolta em expressiva parcela da população. Agora, porém, após um longo período fechado para obras, o teatro finalmente foi reaberto e o Projeto Seis e Meia foi reativado.
No início deste mês de julho, fui lá para assistir o show da Leila Pinheiro, que subiu ao palco acompanhada por um timaço de instrumentistas. Fazia anos que não entrava naquele “templo da cultura popular”, e confesso que saí de lá muito feliz e emocionado. Emocionado em razão da rica musicalidade exibida no palco por aqueles geniais artistas e feliz em observar a presteza da reforma estrutural e a eficiência dos avanços tecnológicos, sobretudo, no que tange a qualidade técnica e operacional do sistema de som. Reprodução precisa e equalização perfeita. Tanto para quem senta na primeira fila quanto para quem senta na última, a música chega aos ouvidos da plateia com clareza e uniformidade, sem ruídos ou distorções.
Na condição de espectador de memoráveis shows naquele teatro, torço para que os cuidados com a manutenção, com a qualidade da programação musical e, sobretudo, com o serviço de sonorização, mantenham-se nesse elevado nível de eficiência e sejam a principal marca dessa, até aqui, elogiável administração.
PAULO PINTINHO DOS SANTOS, jornalista e produtor cultural.

